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O PARALELO NECESSÁRIO: DA POLITICA DE MORTE AO INVESTIMENTO EM VIDA COMO IMPERATIVO DE JUSTIÇA SOCIAL

  • Foto do escritor: APORI
    APORI
  • 7 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

Por Kaolin Maxakali


A crítica à política de segurança pública atual, materializada em operações de alto letalidade, permanece incompleta sem a apresentação clara de uma alternativa estruturante. O paradigma da guerra, que reduz o Estado a um ente beligerante em seus próprios territórios, deve ser substituído por um projeto político-social que compreenda o investimento em vida como fundamento da verdadeira segurança pública. Esta transformação exige um redirecionamento radical de recursos, atenção e presença estatal, transitando de uma lógica de extermínio para uma de promoção integral de cidadania.


Em contraste à intervenção bélica, a atuação estatal deveria se manifestar através de eixos fundamentais. O primeiro é o investimento massivo e qualificado em educação, contemplando não apenas a construção de escolas e a valorização docente, mas também a oferta de educação integral, técnica e superior que funcione como ferramenta efetiva de mobilidade social e construção de futuro. Paralelamente, é imperativo o fomento à cultura e à arte como elementos vitais de identidade, resistência e transformação social. Isso significa reconhecer e financiar oficialmente as manifestações culturais orgânicas das periferias, como as rodas de cultura, os saraus literários e as expressões do hip-hop, convertendo-as em políticas públicas permanentes que garantam espaço, recurso e visibilidade.


Um terceiro pilar essencial reside na garantia da justiça alimentar e sanitária. A presença do Estado deve se materializar na promoção da soberania alimentar, através de programas de agricultura urbana, hortas comunitárias e acesso a alimentos saudáveis, combatendo a insegurança nutricional que é também uma face da violência estrutural. Associado a isso, é fundamental a consolidação do direito à cidade em sua plenitude. Isto implica em assegurar mobilidade urbana digna e acessível, quebrando as barreiras geográficas e simbólicas que segregam a população periférica, e promovendo o acesso livre e seguro a todos os espaços públicos, equipamentos culturais e oportunidades de trabalho que a cidade oferece.


Deste modo, a verdadeira paz não será alcançada pela supressão violenta de conflitos, mas pelo cultivo sistemático de oportunidades. A segurança pública deixará de ser sinônimo de polícia e se tornará sinônimo de garantia de direitos. O caminho é claro: substituir a lógica da bala pela força dos livros, trocar o cassetete pelo pincel, e transformar o investimento em armamento em verba para educação, cultura, alimentação e mobilidade. Exigir essa transição não é um pleito idealista, mas a reivindicação por um Estado que, finalmente, cumpra seu dever constitucional de priorizar a vida digna para toda a sua população, reconhecendo a potência e o direito à existência plena das periferias.


 
 
 

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